Com apenas 9 deputados estaduais eleitos PSD pode perder espaço no governo Tarcísio
Kassab chegou a mencionar que a sigla pretendia fazer 80 deputados federais, mas elegeu apenas um a mais que o número atual e ficou com 43 cadeiras
Nove. Esse é o número de deputados estaduais que o PSD conseguiu emplacar na Assembleia Legislativa de São Paulo. Bem abaixo do que a sigla imaginava construir quando desenhou sua estratégia para o pleito, com ambição declarada de influenciar pautas no plenário e, no limite, brigar pelo comando da Casa.
Em Brasília, o retrato foi igualmente modesto. A bancada federal saiu de 42 e chegou a 43 parlamentares, um deputado a mais. Gilberto Kassab, que preside a legenda, falava em algo próximo de 80 cadeiras ao comentar as perspectivas do partido durante o ano.
A aposta no Planalto tampouco deu retorno. Ronaldo Caiado encabeçou a chapa com Kassab como candidato a vice, e não conseguiu furar a disputa polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Foram 2,6 milhões de votos e o quinto lugar.
Parte da explicação para o desempenho paulista, segundo quem acompanha os bastidores do partido, está na distância que se instalou entre Kassab e Tarcísio de Freitas. O PSD esteve na coligação que reelegeu o governador, mas com participação reduzida se comparada ao arranjo de quatro anos atrás.
Houve um ponto de inflexão nessa relação. A vaga de vice na chapa interessava a Kassab, e ela acabou ficando com Felício Ramuth. Para seguir ao lado do governador, Ramuth saiu do PSD e se filiou ao MDB, movimento que ampliou a influência emedebista no grupo político paulista.
Quem sentiu o impacto foram os prefeitos filiados ao partido. Essas administrações dependem do diálogo com o Palácio dos Bandeirantes para viabilizar recursos e convênios, e a percepção dentro do governo é de que o vínculo desses gestores com Tarcísio se mostrou mais firme do que a lealdade à direção nacional da sigla.
Agora a conta chega na montagem da equipe. Reeleito ainda no primeiro turno, o governador trabalha em uma composição diferente para os próximos quatro anos, e a avaliação interna é de que o PSD ocupará menos cadeiras, ainda que não fique fora do núcleo central da administração.
Um dos sinais está na Saúde. A expectativa é de que Eleuses Paiva deixe o comando da pasta, movimento que diminuiria mais um degrau da presença partidária. Enquanto isso, outros nomes ganham corpo. Ricardo Salles é cotado para uma função de peso. O União Brasil também vive reacomodação. A conversa com o governo deve passar a ser conduzida pelo comando nacional, sob Antônio Rueda.
Pode haver ainda uma troca maior de peças. Com a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 muitos integrantes do governo federal desembarcaram no governo estadual de São Paulo e podem fazer o caminho de volta se Flávio Bolsonaro vencer a eleição, liberando postos. Rodrigo Garcia, hoje no Republicanos, é lembrado nessas conversas, embora enfrente resistência interna.
Para o PSD, resta o horizonte mais longo. Há quem defenda, entre os próximos de Kassab, que o partido reconstrua a ponte com Tarcísio ao longo do mandato, pensando em 2030, quando o governador deve avaliar uma candidatura presidencial.
As definições sobre a nova equipe são esperadas para as próximas semanas.